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Ah! Coração!
quão delicado e sensível
para sempre insubstituível
tens por dever uma sina:
trabalhar sempre,
na mesma rotina,
sem ao menos ganhar um tostão!
Ah! Coração!
estás sempre de sangue embebido
bombeando às veias do são e do ferido,
do pobre e do rico,
do bom e do mau,
sem nenhum preconceito racial,
não te negas nem ao louco ou ao ladrão!
Ah! Coração!
tão judiado pela inconseqüência,
és assunto aos homens de ciência,
ao músico, ao poeta, ao enamorado,
com ternura por eles invocado,
na inspiração, na dor, na paixão!
Ah! Coração!
reloginho que bate bem fundo
se atrasas ou adiantas um segundo
logo treme o corpo inteiro
porque és o motivo primeiro
que nos traz preocupação!
Ah! Coração!
quando estás dentro de um suicida
geralmente és a parte escolhida
e mesmo em perfeito estado
acabas por ele liquidado
por desequilíbrio ou decepção!
Ah! Coração!
como te vi orgulhoso
naquele momento assombroso
em que, ardente,
pulsaste num misto
de alegria e amor
no Santo Peito de Cristo
que um dia, na dor,
parou sua pulsação
para abrir o céu à salvação!
Ah! Coração!
Abel Reginatto....
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